ORGANOESTE: Transformando Passivos Ambientais em Ativos Ambientais

12.11.2024

A Organoeste, fundada em 2007 em Campo Grande-MS, é uma empresa especializada na gestão de resíduos sólidos classe II provenientes de grandes geradores, como frigoríficos, Ceasa, cerealistas, laticínios e agroindústria em geral. Com objetivo de tornar as indústrias do Mato Grosso do Sul mais verdes, a empresa foca em soluções sustentáveis, se dedicando ao manejo eficiente dos resíduos que se tornariam um passivo ambiental. Mensalmente, a empresa recebe cerca de 2 mil toneladas de matéria orgânica de grandes geradores de Campo Grande e região.

Os resíduos recebidos, são em sua maioria materiais descartados e segregados durante o processo produtivo por estarem fora dos padrões de comercialização. Esses resíduos compreendem restos de alimentos, resíduos de abatedouros, rejeitos de incubatórios, varredura, pó de serra, pelos de suínos, cinzas de caldeiras, entre outros. A partir desses insumos, são produzidos os adubos orgânicos, agregando valor ao gerar produtos reciclados que podem ser reintegrados à cadeia produtiva.

Figura 2 - Matéria Orgânica recebida pela empresa

A gestão desses resíduos é feita por meio de uma biotecnologia exclusiva de compostagem, que permite uma decomposição controlada com a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela decomposição. Esse monitoramento torna o processo mais eficiente e rápido em comparação ao que ocorreria naturalmente.

Para auxiliar na decomposição dos resíduos orgânicos, a empresa utiliza uma máquina, cedida pela prefeitura de Campo Grande, que fragmenta os resíduos de poda e galhos coletados na cidade que são encaminhados à empresa. Em contrapartida pela doação do maquinário, a empresa fornece ao município uma tonelada de adubo orgânico por mês. Esse insumo natural pode ser aplicado em áreas verdes, hortas comunitárias e demais projetos de paisagismo público.

Figura 3 - Máquina utilizada para fragmentar resíduos de poda e galhos.
 
Figura 4 - Biomassa após fragmentação de resíduos de poda e galhos

Todo o material orgânico chega ao local em caminhões, que passam pela balança para aferição do volume, e são descarregados em uma área de recepção, onde é organizado em leiras de compostagem para iniciar o processo sob monitoramento. Em paralelo, realiza-se a trituração dos resíduos vegetais, diminuindo o volume da poda e tamanho dos galhos para criar a biomassa que facilita a aeração, a manutenção e uma umidade adequada.

Figura 5 - Leiras para compostagem do material

Após o processo de fragmentação, a biomassa é incorporada junto as leiras no barracão protegido de intempéries, para criar o ambiente ideal para o desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela decomposição, tornando-o mais eficiente e rápido em comparação ao que ocorreria naturalmente.

Em dias alternados, ocorre o revolvimento do material, onde o mesmo é misturado pela pá carregadeira, para que se mantenha a aeração e a temperatura elevada das leiras. Isso garante a decomposição integral do insumo, evita atração de vetores e promove a sanitização do composto. As legislações vigentes determinam que a sanitização completa é concluída após 15 dias com temperatura das acima de 55º C.  O responsável técnico da Organoeste, Rafael, menciona que o material é mantido no barracão de compostagem por 30 dias para garantir a qualidade total do insumo.

Figura 6 - Leiras do composto pronto para peneiramento.

Após finalizado o processo, o composto é destinado ao estoque a céu aberto e fica disponível para iniciar a etapa de peneiramento, que consiste em uma série de peneiras para remover materiais grosseiros e recicláveis, como plásticos e pedras, que possam ter sido misturados aos resíduos. Esse processo garante que o composto final esteja pronto para comercialização. Em média para cada duas mil toneladas dos resíduos recebidos na empresa são geradas cerca de 1,2 mil toneladas do adubo.

Figura 7 - Adubo peneirado e pronto para comercialização

A Organoeste também desenvolve, desde 2022, um projeto voltado para a compostagem de resíduos orgânicos residenciais gerados nos municípios de Mato Grosso do Sul que não dispõem de destinação e tratamento adequados para esses materiais. A Organo Compost oferece uma alternativa sustentável e economicamente viável para as cidades, ao reduzir a necessidade de instalação de novos aterros sanitários e diminuir os custos logísticos com o transporte de resíduos para municípios que possuem aterros controlados.

Alinhado aos objetivos de desenvolvimento sustentável, a startup da Organoeste realiza o manejo dos resíduos sólidos urbanos utilizado o método de Leira Estática Termofílica Estruturada – LETE. Essa metodologia engloba a fusão de três métodos estabelecidos na literatura somado à aplicação da biotecnologia exclusiva para aceleração do processo de degradação da matéria orgânica. O sistema de compostagem LETE oferece um tratamento biológico alinhado aos parâmetros e exigências ambientais, atendendo de forma eficaz e completa aos requisitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Figura 8 - Organo Compost alinhada com 13 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Os resíduos provenientes da coleta convencional, após passarem por um processo de separação e peneiramento em máquinas desenvolvidas pela empresa, são encaminhados para a triagem dos materiais recicláveis inorgânicos realizada pelas cooperativas de catadores. Em seguida, os resíduos orgânicos seguem para o Sistema LETE, onde passam pelo beneficiamento para obtenção do composto final. O rejeito restante, após esse processo, pode ser destinado a um aterro ou direcionado para usinas de geração de energia termoelétrica, contribuindo para um aproveitamento mais sustentável dos resíduos.

Realizar a compostagem em condições aeróbicas adequadas minimiza a formação de metano, geralmente liberado quando os resíduos sólidos orgânicos se decompõem em aterros sanitários. Desta forma, a compostagem promove uma alternativa ecologicamente responsável para a gestão de resíduos sólidos orgânicos.

Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o adubo orgânico, proveniente deste processo, proporciona diversos benefícios para o setor agroindustrial, como a melhoria da estrutura física, química e biológica do solo, com maior agregação das partículas, maior possibilidade de oxigenação, fornecimento de macro e micronutrientes, aumento da matéria orgânica e o incentivo ao desenvolvimento de bactérias benéficas e outros microrganismos que facilitam a incorporação de nutrientes no solo. Esses elementos geram um solo mais vivo e fértil além de nutrir de forma saudável a vegetação onde o adubo é aplicado. Por sua vez, o capim adubado produz mais nutrientes, melhora a qualidade da folha e consequentemente o gado possui uma melhora na engorda, com um bom score corporal.

Assim, ao implementar esse modelo de negócio, a Organoeste e a Organo Compost não só contribuem para a sustentabilidade ambiental, mas também incentivam a economia circular e reduzem o volume de resíduos que iriam para aterros, promovendo uma gestão pública de resíduos mais sustentável, com menor impacto ao meio ambiente e economicamente vantajosa.

Autora: Muriele Rodrigues de Lima- Analista de ESG e Sustentabilidade na Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Sistema FIEMS), com experiência na implementação de estratégias ESG para o desenvolvimento sustentável da indústria.

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