Tem gente que transforma o mundo com palavras. Outros, com máquinas. Patrícia Rodrigues, a mente e mãos por trás da marca Boli Boli, faz isso com agulha, linha e um compromisso inabalável com a sustentabilidade e a identidade cultural. Em Campo Grande, ela não costura apenas roupas: ela costura histórias. Peça por peça, ela une memória, propósito e reinvenção — tudo com retalhos que um dia seriam descartes, mas que nas mãos dela viram arte, manifesto e futuro.



Fotos: boliboli
A moda autoral da Boli Boli não nasceu para agradar vitrines. Ela nasceu para dialogar com o mundo. E tem feito isso: desde a pandemia, suas peças atravessaram fronteiras e foram parar em clientes do exterior que se encantaram com a coleção “Roots Colection” — uma celebração das raízes afro-brasileiras com toque urbano e estética afetiva. É a moda que fala alto e em várias línguas, mas sempre com o mesmo sotaque: o da originalidade.

Patrícia representa uma ponta da cadeia que já entendeu o que precisa ser feito. Reutiliza, ressignifica, transforma. Mas mais do que isso, ela cria com intencionalidade. Cada peça da Boli Boli carrega não apenas tecido reaproveitado, mas também identidade, cultura e pertencimento. E o mundo está ouvindo.
Felizmente, ela não está sozinha nessa costura. Seus clientes são na grande maioria, artistas, companhias de teatro que através dela montam figurinos e muitas vezes toda arte do espetáculo. Pessoas que querem exclusividade na marca mais forte da Boli Boli a customização.






Com seu ateliê montado em uma sala no centro de Campo Grande, a Boli Boli já é parte desse novo desenho industrial que começa a surgir. Um modelo mais sensível, colaborativo e circular. Se antes ela dependia apenas de doações informais de amigos, clientes e parceiros, hoje vislumbra possibilidades de fazer parte de uma engrenagem maior, em que o pequeno criador é reconhecido como peça-chave da inovação sustentável.
A coleção “Roots Colection”, que encantou clientes na Europa e nos Estados Unidos, é prova de que moda autoral tem lugar no mercado global — e que sustentabilidade e brasilidade, quando costuradas com verdade, não têm limites geográficos.



O que hoje é esforço setorial de moda autoral do colegiado municipal e estadual pode, sim, virar política pública. O que é um ateliê doméstico, pode ser uma escola. O que são sobras, podem se tornar oportunidades em escala. E o que é resistência criativa, pode ser parte central da nova economia.
Porque há potência nas mãos que bordam o que sobra. Há inovação nas pequenas marcas autorais que ousam propor um outro jeito de vestir e existir. Patrícia — e tantas como ela — não estão sozinhas. Formam uma rede que produz, forma, resiste e movimenta cultura, identidade e economia local.


A indústria já começou a observar essa ponta da cadeia e cabe a ela, participar, integrar, reconhecer e apoiar. Sustentabilidade se faz com ações conectadas entre fábricas, criadores, mercados e territórios. Do grande maquinário ao ponto delicado da costura artesanal.
A Boli Boli pensa e age com responsabilidade. E mostra que é possível vestir beleza e conteúdo, sem abrir mão da alma e da ancestralidade.
Que essas peças sigam viajando o mundo. Que a moda autoral brasileira — nascida em casas simples, com costura firme e coração inteiro — ganhe o reconhecimento que merece. Porque o futuro da moda já começou.
Para mais informações acesse: boliboli.com.br
Vânia Galceran :-jornalista-Diretoria de sustentabilidade - Fiems-
Pedro Franco: Analista de Sustentabilidade e ESG - Fiems
Lara Socabe: Estagiária de Criação/Fotógrafa
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