Secretário adjunto da SEAD Anderson Chadid.e a servidora Célia Sampaio, designada para coordenar as ações do Projeto SEAD LIXO ZERO
A Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD) vem se destacando como referência em gestão de resíduos sólidos no âmbito da administração pública estadual, ao estruturar e implementar desde 2024 ações voltadas ao gerenciamento correto dos resíduos gerados.
A iniciativa surgiu diante da necessidade de adoção de práticas sustentáveis e alinhadas à legislação ambiental vigente. À época, a sede da SEAD apresentava uma geração média de 36,7 kg de resíduos por dia, sem qualquer tipo de segregação ou gerenciamento estruturado.
O projeto teve início com a realização de um diagnóstico técnico detalhado, contemplando o mapeamento dos setores, identificação dos tipos, quantidade de resíduos gerados e análise das rotinas de coleta existentes. A partir desse levantamento, foi possível estruturar um plano de ação focado na segregação na fonte e na destinação ambientalmente adequada dos resíduos.



Identificação dos Residuários de Rejeitos, Recicláveis e Orgânicos.
Como etapa fundamental do processo, foi necessário fortalecer o engajamento interno e a compreensão coletiva sobre a importância do gerenciamento adequado dos resíduos, por meio de ações de educação ambiental, realizando inúmeras abordagens, sensibilização dos servidores e capacitação em todos os setores da Secretaria para promover uma mudança cultural mais assertiva dentro e fora da instituição.
A receptividade dos servidores foi amplamente positiva, com alto nível de engajamento nas ações propostas. Antes da implantação do projeto, estima-se que quase 500 mil copos plásticos descartáveis fossem destinados anualmente ao aterro sanitário.
Com a nova política interna, a SEAD passou a disponibilizar aos visitantes copos de papel biodegradáveis apenas mediante solicitação, orientando para que utilize-os durante toda a permanência no local, como forma de reduzir o desperdício. Aliado a isso, os servidores receberam copos reutilizáveis, eliminando o uso rotineiro de descartáveis.




Placas informativas sobre o projeto SEAD Lixo Zero.
Além disso, foram realizadas adaptações na infraestrutura de manejo, como aquisição de balanças para a pesagem dos resíduos, identificação das lixeiras por tipologia de resíduo e a comunicação visual educativa, por meio de placas e cartazes informativos instalados nos corredores.



Cartazes informativos sobre a correta segregação dos resíduos na SEAD.

Paralelamente, foi estruturado em todas as unidades da SEAD, residuários para resíduos sujeitos à logística reversa, como pilhas, lâmpadas e cápsulas de alumínio de café. Alguns desses residuários foram produzidos a partir do reaproveitamento de partes de móveis inutilizados que seriam descartados, estando alinhado às diretrizes da metodologia Lixo Zero, fundamentadas na não geração, redução e reutilização dos resíduos.
Em parceria com a Solurb, concessionária responsável pela limpeza urbana, foram implantados Locais de Entrega Voluntária (LEV) na sede da Secretaria e em mais quatro unidades, ampliando as possibilidades de descarte, coleta de destinação correta de resíduos recicláveis.



Residuários destinados ao recebimento de resíduos sujeitos à logística reversa.
Em agosto de 2025, a Secretaria deu mais um passo importante ao iniciar a fase de compostagem dos resíduos orgânicos. A ação possibilitou a produção de adubo, além de promover melhorias significativas na limpeza, na organização dos ambientes e na redução dos resíduos destinados ao aterro sanitário.



Residuários destinados ao armazenamento temporário de resíduos orgânicos e adubo orgânico recebido após a entrega dos resíduos destinados à compostagem, sendo posteriormente sorteado entre os servidores.
Desde a implementação do Projeto SEAD Lixo Zero, mais de 18 toneladas de resíduos passaram a ser destinados de forma ambientalmente adequada, refletindo o fortalecimento das práticas de gestão sustentável.
No que se refere à compostagem, o impacto positivo é igualmente significativo: de agosto de 2025 a 31 de janeiro de 2026, 3.800 kg de resíduos orgânicos deixaram de ser encaminhados ao aterro sanitário e foram transformados em composto orgânico, reforçando os ganhos ambientais, operacionais e de eficiência da iniciativa.
Entre as principais lições aprendidas ao longo do processo, destacam-se:
A experiência da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD/MS) demonstra que, com planejamento, sensibilização e comprometimento institucional, é possível transformar a gestão de resíduos em uma política pública eficiente, replicável e alinhada aos princípios do desenvolvimento sustentável.
Autora: Muriele Rodrigues de Lima- Analista de ESG e Sustentabilidade na Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Sistema FIEMS), com experiência na implementação de estratégias ESG para o desenvolvimento sustentável da indústria.
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